Player_logo Podcasts Community Create a Podcast
June 04, 2007 05:21 PM PDT
itunes pic

 
Viravolta - o disco
April 07, 2007 06:25 PM PDT

Irajá Menezes interpreta canções de Fran Papaterra. Para analisar este trabalho é necessário que se defina a palavra prosódia. Ela é usada para designar a adequação entre letra e música numa composição.
Boa prosódia nos oferece Dorival Caymmi. Um exemplo especialmente feliz é: "Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá!" Quem canta estes versos tem a oportunidade de, a partir da melodia, enfatizar a pergunta de "Você já foi à Bahia, nega?", indignar-se com o "Não?" e sugerir, imperativo: "Então vá!". Aí entra o intérprete.

Ele é o porta-voz do compositor. O intérprete analisa, traduz, representa a canção. Ele deve ter cultura, sensibilidade e inteligência para saber combinar os sons e significados das palavras com os intervalos, freqüências e durações das notas musicais, com as tensões, afastamentos, repousos, cadências e modulações da harmonia e com as sensações sugeridas pelos motivos melódicos. Sem dúvida, o intérprete é superior ao cantor.

Há intenções no trabalho de elaboração de uma canção. Há também manifestações inconscientes que, muitas vezes, são mais abundantes e ricas em conteúdo. E há, finalmente, elementos que podem ser adicionados à canção que, se não lhe alteram as intenções, a comunicam de uma maneira que jamais ocorreria a quem a fez. O bom intérprete deve reconhecer as intenções explícitas do compositor, desvendar as manifestações inconscientes dele e adicionar elementos seus à canção, de maneira a ser uma espécie de cúmplice.

Poucos compositores têm um intérprete.

Eu tenho.

Fran Papaterra

Êta, Vida Marvada!
April 07, 2007 04:59 PM PDT

(That's Why God Made the Movies) - Paul Simon

Diz que sim, diz que sim
Diz que vai me amar até o fim
Que você foi feita só pra mim
Assim do jeito que eu sou

Diz que não, diz que não
Diz que não é sua intenção
Magoar meu pobre coração
Diz que não, baby
Diz que sim, o yeah

Quando eu nasci
Mamãe morreu
E disse: Tchau, nenem, lá vou eu
E eu disse: Não faz assim
Ai de mim
E ela disse pr'eu ficar bem tranqüilo
E foi-se embora em grande estilo
Êta, vida marvada!

E eu caí na choradeira
E finalmente apareceu a enfermeira
Que disse: Não faz assim
Vai por mim
Se você for um sujeito esperto
As coisas todas vão dar certo
Êta, vida marvada!

Diz que sim, diz que sim
Diz que vai me amar até o fim
Que você foi feita só pra mim
Assim do jeito que eu sou

Diz que não, diz que não
Diz que não é sua intenção
Magoar meu pobre coração
Diz que não, baby
Diz que sim, o yeah

Quando eu nasci
Mamãe morreu
E disse: Tchau, nenem, lá vou eu
E eu saí por aí
Um garoto do mais fino trato
Criado pelos lobos do mato
Êta, vida!
Êta, vida!
Êta, vida marvada!
Que vida marvada!
Mamãe, mamãe...

Violão e teclado [piano, piano elétrico, cordas, bateria]: Newton Carneiro
Baixo: Mário Cezar Andreotti / Percussão: Guelo / Trompete: Nahor Gomes
Arranjo: Newton Carneiro, Irajá Menezes e Fran Papaterra

Viravolta
April 07, 2007 04:58 PM PDT

Ele falou que seu plano de vida era outro
Outro, diferente daquele que foi
Ele falou que queria viver bem mais solto
Solto, muito menos chinês; mais cowboy

Infelizmente o seu plano
Não tinha nada a ver com ela
Anos futuros passados
Jogados pela janela

Ela ensaiou, cabisbaixa, uma espécie de queixa
Mixa, meio chocha e borocoxô
Foi como se sempre ele a fizesse de trouxa
Ducha de água fria no que ela sonhou

Do jeito mais dolorido
Ela sentia na pele
Que não fazia sentido
Aquela vida com ele

Mas esse mundo é sem cabeça e nem pé
Muda de rima e de tom
Tudo muda mesmo, até
Porque o futuro é sempre tão bom

Mas deixa estar que apesar
Das mudanças ainda somos, no fundo, os mesmos

Veja você como é que esse mundo dá volta
Volta, quanto mais volta dá volta mais
Quanto mais o mundo vira, mais dá viravolta
E volta pra onde estava um dia atrás

E, quem sabe, seja por isso
Que os dois novamente estão juntos
O tempo tem um feitiço
E eles se gostam muito

Mas esse mundo é sem cabeça e nem pé
Muda de rima e de tom
Tudo muda mesmo, até
Porque o futuro é sempre tão bom

Mas deixa estar que apesar
Das mudanças ainda somos, no fundo, os mesmos

Violões: Irajá Menezes / Baixo: Mário Cezar Andreotti / Percussão: Guelo
Viola, piano e bateria eletrônica: Newton Carneiro / Arranjo: Irajá Menezes

Um Grande Amor Também Termina
April 07, 2007 04:56 PM PDT

(Fifty Ways to Leave your Lover) - Paul Simon

O seu problema é só cabeça, ela me disse
É paranóia, faz de conta, não existe
Eu gostaria que não fosse assim tão triste
Mas, um grande amor também termina

Ela falou: Eu não costumo me envolver
Mas decidi que essa noite eu vou cuidar bem de você
Vou lhe ensinar que não tem onde, quando, nem porquê
Só sei que um grande amor também termina
Um grande amor também termina

Sabe comé, Zé
Foi só diz que diz, Luiz
Deu no que deu, Léo
Assim não dá pé

E aí, como faz, Brás?
Fiz que fui mas não fui, Rui
Tô que nem sei, Ney
Seja o que Deus quiser

Ela falou: Eu sei como é grande essa dor
Mas, eu garanto que amanhã você vai estar muito melhor
Eu agradeci e disse: Explique, por favor,
O que é o Grande Amor?

Ela falou: Que tal se a gente fosse embora?
O que era antes não será, nem é agora
Me deu um beijo e eu compreendi, quem sabe, ali naquela hora
Que um grande amor também termina
Um grande amor também termina

Sabe comé, Zé
Foi só diz que diz, Luiz
Deu no que deu, Léo
E assim não dá pé

E aí, como faz, Brás?
Fiz que fui mas não fui, Rui
Tô que nem sei, Ney
Seja o que Deus quiser

Violão: Irajá Menezes / Teclado [piano e baixo]: Ricardo Breim
Violão aço e teclado [orgão e bateria]: Newton Carneiro
Arranjo: Sociedade Secreta / Participação especial: Ná Ozetti

Man Without a Soul / Misterioso
April 07, 2007 03:10 PM PDT

Na Idade Média, o intervalo de três tons inteiros foi denominado "diabolus in musica" e conseqüentemente proibido pela Igreja de ser utilizado nas composições.
Esse mesmo intervalo, incorporado como peça chave pelo sistema tonal, veio a gerar o que o professor José Miguel Wisnik definiu como o "pacto com o Diabolus".
Se o europeu ouviu no trítono a chance de representar sua crença na superação de todos os conflitos, o negro escravizado, na impossibilidade de qualquer fantasia redentora e habituado a conviver com os aspectos obscuros de seus santos, inventou no Novo Mundo uma música de trítonos.
Origem da moderna canção urbana de consumo, ao mesmo tempo metáfora da transgressão e fonte inesgotável de riquezas, o jazz, o blues e o rock'n roll refazem o pacto impondo suas condições.
Que diabos, duas notas nos falarem tanto assim do Céu e da Terra!

MAN WITHOUT A SOUL

I saw this train in the station
My heart said 'go, man, go'
This is the usual situation
For a man without a soul
A soul that was sold on a crossroad
For a pocket of gold

They say right things about me sometimes
The other things they say are wrong
They long to know about my life
And, if it lasts, for long
They say that they want to find out
My unwriten song

You can find me on a crossroad
With my blue suede shoes
You can find me singing love songs
Twelve bar tunes
Wherever a heart had been broken
I'll be there singing the blues

MISTERIOSO (Thelonious Monk)

Teclado seqüenciado igual à versão do disco Thelonious Monk the Composer, com Milt Jackson, vibrafone, Thelonious Monk, piano, John Simmons, contrabaixo e Shadow Wilson, bateria. Guitarra adicional: Newton Carneiro. Arranjo (?): Irajá Menezes.

Capivara
April 07, 2007 02:57 PM PDT

(I'm the Walrus) - John Lennon e Paul McCartney

Ai de mim que sou assim
Porque no fim o mim sou eu, eu mesmo
Sou tamanduá, tutu marambá
Sou mais de mil
A esmo

Ai, mas que preguiça!
Êta, nóis, que mundo ingrato!

Eu nasci no mato
Sangue mameluco
Ginga de mulato
Coração de curumim

Sou Curupira
Sou Caipora
Sou capivara
Tô jururu

Chefe Nhambiquara pinta a cara
Para o ritual da chuva
Muita saúva, pouca saúde: o meu país
Batuca

Pedra no caminho
Baita sururu de novo
Eu sou Homem Ovo
Sou Leão Marinho
Muito me comovo de carinho por você

Sou Curupira
Sou Caipora
Sou capivara
Tô jururu

No caminho da cidade tinha assombração
Era cor de rosa
Me dizia coisas
Que já nem sei, não

Sou Curupira
Sou Caipora
Sou capivara
Tô jururu

Saravá, meu camará, nhê mungunzá
Bom acaçá
Nhamanga
Sou pai guenguê, saci pererê
Sou boi bumbá
Sou vários

Se fica o bicho pega
Se correr o bicho alcança
Fé que não sossega
Dor que não descansa
Mas meu coração balança ao som de um tamborim

Sou Curupira
Sou Caipora
Sou capivara
Tô jururu, tô tão jururu

Tô jururu, tô tão jururu...

Samples: Strawberry Fields Forever, Obladi-Oblada, A Day in the Life, Twist and Shout [Beatles] / Diamonds and Pearls [Prince]

Teclado [piano, guitarra, orgão, bateria, percussão, orquestra]: Newton Carneiro
Violões aço: Irajá Menezes / Baixo: Mário Cezar Andreotti / Arranjo: Irajá Menezes
Participação especial: Ná Ozetti

Ao Mar!
April 07, 2007 02:36 PM PDT

"minh'alma vibra de se elançar"

Ao mar!
Meu desejo sempre foi navegar
Desde o Tejo ao mais distante lugar
Por esse mundo de Deus

Não há
Terra aonde a nossa esquadra não vá
Não há nada nesta Terra, quiçá
Longe dos domínios meus

Se mais mundo houvera, lá chegara
Tanta coisa encara a minha nau
Especiarias há
E o mundo há de ser
Um redondo e vasto Portugal

Ao mar!
Meu desejo sempre foi navegar
Desde o Tejo ao mais distante lugar
Por esse mundo de Deus

Não há
Terra aonde a nossa esquadra não vá
Não há nada nesta Terra, quiçá
Longe dos domínios meus

Que haja esperança na tormenta
Nossa frota enfrenta o que surgir
Se orienta pela Cruz
E o mundo há de ser
O que a esquadra lusa descobrir

Teclado [piano, cordas e baixo]: Newton Carneiro / Violino: Ana Maria Oliveira
Bandolim: Roberto Araújo / Arranjo: Newton Carneiro, Rubens Nogueira e Irajá Menezes

SE MAIS MUNDO HOUVERA, LÁ CHEGARA

Num possível próximo disco de canções de Fran Papaterra eu daria mais ênfase às palavras e à maneira peculiar que ele tem de pronunciá-las. Neste não foi o que eu fiz.

O que já de início me atraiu em suas composições foi um apurado senso formal. A inteligência de cálculos e a intuição bem treinada que vinham de seus temas ágeis e sem amarras puxavam toda minha atenção para a arrumação das partes e para a maneira de explorar os campos harmônicos. Até hoje a cada primeira escuta de qualquer canção sua me repito desse jeito.

Naquela época ele estava entregue a compor músicas brasileiras: valsas, choros, sambas. Em todas elas, um indefectível acento blue evidenciava seu modo de ser harmônico, todo ele advindo da sintaxe pop de língua inglesa.

Curiosamente, não havia bossa nova na música do Fran (o que não podia deixar de me causar estranheza). Seus baiões são acompanhados por acordes maiores que se movimentam paralelos como no Jimi Hendrix e seus choros têm cadências que podem lembrar The Mamas and Papas (!).

É óbvio que nada do que ele compõe soa samba funk ou rock rural. A miscigenação já se deu e habita um nível mais profundo onde estruturas análogas podem se encontrar e produzir os sintomas que bem se entender. São as tríades e principalmente um tempo dilatado para as mudanças de acordes (sua maneira de compreender o tonalismo à brasileira pelo viés da balada anglo-americana) que, somados, produzem a secura harmônica que ele arma só para subverter com aquelas melodias indisciplinadas ditas num português castiço fustigado por gírias.

Para quem quer entender, ele sempre conta que começou a gostar de Chico Buarque porque as letras pareciam as do Bob Dylan (!!!).

Outra coisa que eu fui aprender com o curso do trabalho foi o uso que ele faz das rimas. Isso se explica por ele ser um letrista que não lê poesia. Toda sua formação de escritor vem da escuta de canções e da poesia declamada do "seu" Francisco Papaterra, pai dele.

Como a canção nunca assumiu o verso livre da literatura, eu, todo acostumado às rimas brancas dos livros modernistas, me sentia meio mouco na hora de aprender as letras, desatento às nuances, inamovível na minha fissura de analisar... harmonias.

Acontece que é justamente nas rimas, esse recurso da língua que nos oferece aos pares os objetos mais disparatados, que reside o aspecto mais evidente e mais profundo da obra do Fran.

Sua ferramenta de trabalho por excelência, a rima revela ao mesmo tempo o controle técnico que ele exerce sobre a composição e uma maneira particular de experimentar um desejo de ordenação do caos.

A heterogeneidade de elementos na música desse paulistano de Jaú traduz fielmente sua capacidade pessoal de viver as experiências mais variadas. Essa maneira generosa de transitar pela biodiversidade social está toda, acessível, de maneira clara, nas letras de suas mais de duzentas canções. Exacerbando contrastes e realçando as referências do que ele ouviu e usou na hora de compor eu quis traduzir isso musicalmente, como se misturando de maneira crua Thelonious Monk e Robert Johnson eu pudesse compartilhar da utopia de convivência dos contrários que ele não cansa de perseguir. Uma utopia lúdica, lúcida e que eu poderia chamar de quase cínica, porque trabalha por justaposição e não por síntese e que chega a me agredir, tamanha a sem-cerimônia com que ele às vezes desmonta expectativas ou faz uso premeditado de elementos que o bom senso estético refutaria de imediato.

Se num próximo disco eu pudesse, daria mais ênfase às palavras e à maneira peculiar que Fran Papaterra encontrou para pronunciá-las. Neste eu me entreguei à oportunidade de me embrenhar na riqueza musical contida na composição e no imaginário de um letrista sabidamente brilhante.

Como tradutor, muitas vezes fiz papel de traidor, outras tantas me expressei por idiomas que não falo, todas elas na expectativa de me expor, identicamente, através do outro, ao inverso, como nos espelhos... a voz do outro e o outro na voz.

Irajá Menezes

Do Jeito Que Você Gosta
April 07, 2007 02:30 PM PDT
itunes pic

Música de Irajá Menezes / Letra de Fran Papaterra

Do espetáculo "Do Jeito Que Você Gosta"
encenado pela Trupitê de Teatro sob direção de Carlos Gardin.

A trupe segue
Com passo alegre
De leve, pela contramão
Pernas para que te quero
Coração de aventureiro
Palco, praça, picadeiro
Atenção: distração!
Muita diversão

Pura poesia
Luz, fantasia
Sabedoria de bufão
Quem serão aqueles seres
Que têm mágicos poderes?
Que exóticos prazeres terão?
Onde vão?
Sombras de ilusão

Ser ou não ser?
Eis a pergunta
Que eu sei que nunca
Vou responder

Quem serei eu?
O que será que aconteceu?

Vida passageira
Lépida e ligeira
Rápida e rasteira ela vai
Como eu faço pra vivê-la,
Dar mais brilho à minha estrela,
Transformá-la na mais bela,
Encontrar
Meu lugar
Trupeteatrar?

A trupe é excêntrica
Escalafobética
Elétrica, etc. e tal
Poço de sutis mumunhas
Faz o que nem Deus supunha
Desse tempo testemunha ocular
Peculiar
Música no ar

Haja o que houver
Seja o que for
Há de o futuro ser risonho
Homem, mulher
Coisas do amor
Tudo há de parecer como num sonho
O que haverá depois?
Que será de nós?
Que sentido tem eu gostar de alguém que está longe?
Que disfarce usa quem tão bem se esconde,
Me recusa, não responde?
Por que estou assim
Que será de mim?
Que será do

Córrego de águas trôpegas
Trupe que trafega trêfega
Ritmo que tira o fôlego do pessoal
Saborosos são seus molhos
(sem iguais)
Um colírio para os olhos
(muito mais)
Alegria dos pimpolhos e dos pais
É demais
Truques teatrais

A trupe é aquela
Que atropela
Toda mazela que pintar
A trupe é aquela que se mostra
Sempre alegre e bem disposta
À procura da resposta ideal
Especial
Do jeito que você gosta

Teclado [percussão, baixo, piano e realejo]: Newton Carneiro / Violino: Ana Maria Oliveira
Trompete: Nahor Gomes / Trombone: Sidnei A. Borgani / Voz do palhaço: Irajá Menezes
Arranjo: Newton Carneiro / Participação especial: Ná Ozetti

Doce Que Era Doce
April 07, 2007 12:59 PM PDT

E se aquele doce que era doce fosse doce novamente?
E que tal se a gente fosse doce pra valer?
E se do amargo que a distância trouxe
Restasse no ar somente o non sense
E então prevalecesse o doce que vem de você?

Sei que o tempo passa e há de haver graça na saudade que entristece
Mas parece que o tempo esquece de passar
O meu lamento a solidão realça
Em três tempos, numa valsa
Que só seria doce se você fosse meu par

Noites infindas
Idas e vindas
E ainda sinto o seu gosto no meu paladar
Pois, se a saudade aninhou-se covarde
Trouxe o seu mel pra eu provar
O doce que você me dá

Violões e teclado [flautas, cello e sanfona]: Rubens Nogueira e Newton Carneiro
Bandolim: Roberto Araújo / Arranjo: Rubens Nogueira

Ultra-som
April 07, 2007 12:52 PM PDT

Ela mora dentro de você
Ela é um projeto de bebê
Ontem eu a vi no ultra-som
Parecia ótimo
O seu habitat exótico
O líquido amniótico é tão bom

Ela tem um baita barrigão
Bate a cento e oitenta o coração
Vi as suas mãos e vi seus pés
Mas só verei seu rosto
Que desde já eu gosto
Quando for depois do nono mês

O doutor falou que é uma menina
Luiza que será
Se ele acertar

Ela pode ser o que quiser
Não se contraria uma mulher
Onde for que o amor a acompanhe
Nem nasceu ainda
E é muito bem vinda
Pois há de ser linda igual à mãe

O doutor falou que é uma menina
Luiza que será
Se ele acertar

Mais do que chegou a hora H
E ela diz que quer ficar por lá
De dentro da barriga ela não sai
Vive toda prosa no seu mundo cor-de-rosa
Pois é preguiçosa igual ao pai

Violões: Hermelino Neder e Irajá Menezes / Arranjo: Sociedade Secreta

Meu Pai me Viciou em Bolinha
April 07, 2007 12:39 PM PDT

Meu Pai me Viciou em Bolinha
Meu Pai me Viciou em Bolinha
Comprou um violão que tinha bolinha, comprou
A professora disse para ele não comprar

E toda vez que alguém me pede
Pra que eu toque uma canção
Que eu conheço de cor

Se o violão não tem bolinha
Perco a linha, não me ajeito
Não sei se eu tô tocando em si ou dó maior
Errei!
Com bolinha eu toco muito melhor

Violões e trio vocal: Irajá Menezes
Participação especial [guitarra]: Ricardo Corte Real

Mãe, No Que Será Que Eu Sou Bom?
April 07, 2007 12:35 PM PDT
itunes pic

Recitativo:
Irajá Menezes e Fran Papaterra

Quando eu nasci
Ouvi dizer
Que a vida era de alegrias tantas
Tantos prazeres no que há por fazer
Era fácil; era só viver

O tempo passou e não quis responder
Qual o meu destino, afinal
Pra onde eu devo ir
Meu Deus do Céu, por que será
Que eu levo essa vidinha tão normal?

Mãe, no que será que eu sou bom?
Essa é uma pergunta que eu me faço sempre
É, por isso eu faço esse som
Em busca de uma coisa que eu seja realmente o melhor
Que eu dê um nó
Reduza tudo a pó
Que eu quebre o recorde
E sempre consiga
Que o mundo concorde com aquilo que eu diga

Eu digo: mãe, no que será que eu sou bom?
Por toda a minha vida eu tenho perguntado
É, por isso eu faço esse som
Em busca de uma coisa que eu seja disparado o campeão
A grande sensação
O herói da multidão
Que eu tire de letra
E resolva o problema
Desse planeta e de todo o sistema solar

É que eu faço tanto coisa
Mas, meu desempenho é médio
E isso me faz muito mal
Eu não vim pra esse mundo pra, talvez, morrer de tédio
Eu devo ter talento pra ser rei de alguma coisa
Eu tô que não me agüento nessa vida simples e normal

Tchubi du daun, daun
A uba digo lando
Digo lendo
Digo lindo lindão

Não vá ligeiro
No declive
Ave Maria
Padre Nosso
Jesus Cristo
Deus me livre

Teclado [piano, orgão, bateria e percussão]: Newton Carneiro
Violões aço e nylon: Irajá Menezes / Baixo: Mário Cezar Andreotti
Coro: Irajá Menezes e Fran Papaterra / Arranjo: Irajá Menezes e Newton Carneiro

Imaginário
April 07, 2007 12:24 PM PDT

Quando eu era só futuro
Prematuro, eu supus
Que no fim do túnel escuro
Haveria de ter luz
Saí com a cara e a coragem
Naquela iluminação
E ganhei uma passagem
Pra eterna viagem da imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Minha mãe me disse: filho,
Um conselho eu lhe dou
Quem andou sempre no trilho
Veio o trem e atropelou
Quando eu fui embora de casa
Já sabia a lição
Descobri que a gente arrasa
Se voa nas asas da imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Fui seguindo com carinho
Meu caminho de aprendiz
Foi assim que eu fiz meu ninho
E criei meus bacuris
A minha cara-metade
Na maior satisfação
Diz que a tal felicidade
Se faz, na verdade,
Com imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Bate a chuva na janela
Penso nela sem querer
Nessa noite sem estrelas
Que poeta eu hei de ser?
Eu acho até engraçado
Colocar-me essa questão
Se o meu céu é estrelado
Do lado de dentro da imaginação

Eu uso e abuso do imaginário
Se necessário ou não

Essa vida dura pouco
Eu já vou pro beleléu
Vou virar anjo barroco
Muito louco lá no Céu
Meu coração se entusiasma
De pensar na situação
O papai aqui fantasma
Um ectoplasma da imaginação

Violão e teclado [piano, flautas, violão de 7]: Newton Carneiro / Bandolim: Roberto Araújo
Trompete: Nahor Gomes / Trombone: Sidnei A. Borgani / Violino: Ana Maria Oliveira
Percussão: Guelo / Arranjo de base: Irajá Menezes / Arranjo: Newton Carneiro

Mais de Mil
April 07, 2007 12:14 PM PDT

Para Renata

Eu queria lhe encontrar
Que tal a gente ir jantar
Num japonês, ou, talvez,
Melhor, quem sabe, um show
De jazz ou rock'n roll
Mas se você quiser ir ao cinema
Não há problema nenhum
Do sofisticado ao mais comum
Eu topo qualquer um
Pra lhe encontrar qualquer coisa eu aceito
Eu vou a qualquer lugar não importa o jeito que for
Depois do dia em que você surgiu
Meu coração bate no peito a mais de mil

Eu queria viajar
Prum lugarejo à beira-mar
Pegar um trem pra muito além
Pra lá dos cafundós
Enfim nós dois a sós
Longe da fogueira das vaidades
E engrenagens hostis
Onde a gente goste e peça bis
E ocorra ser feliz
Pra lhe encontrar qualquer coisa eu encaro
Eu vou devagar, vou depressa, de carro ou a pé
Depois do dia em que você surgiu
Meu coração bate no peito a mais de mil

Tudo que eu queria
Era que chegasse o dia
Em que você ligasse um pouco pra mim
Ouvisse o que eu digo
Ficasse comigo
E com seu jeito lindo
Sorrindo
Dissesse que sim

Teclado [cordas e kalimba]: Newton Carneiro / Baixo: Mário Cezar Andreotti
Percussão: Guelo / Violão: Irajá Menezes
Arranjo: Rubens Nogueira, Irajá Menezes e Newton Carneiro

O Lado Esquerdo de Quem Entra
April 07, 2007 11:25 AM PDT

Nuvem alta, nuvem alta
Por que é que tão alta vais?
Se tens o amor que me falta
Desce um pouco, desce mais

Por onde é que você anda?
Que bicho que lhe mordeu?
Nunca mais a vi por essas bandas
Sinto falta de você e eu

Eu vi que tudo é relativo
No dia em que lhe perdi
Nunca hei de saber qual o motivo
Quem sabia não está mais aqui

É meio dia e a luz do sol
Traz o calor do verão
Mas também é inverno e meia noite
Nos confins do Japão

O lado esquerdo de quem entra
É o direito de quem sai
Quando um vôo alto a gente tenta
Lá de cima cai

Ai de mim que quero mas, não posso
Ter você pra mim
Porque fui feliz com o que era nosso
Hoje sou triste assim

Eu quero tudo por inteiro
Dinheiro não tem valor
Tudo nessa vida é passageiro
Exceto o motorista e o cobrador

É meio dia e a luz do sol
Traz o calor do verão
Mas também é inverno e meia noite
Nos confins do Japão

O lado esquerdo de quem entra
É o direito de quem sai
Quando um vôo alto a gente tenta
Lá de cima cai

Ai de mim que quero mas, não posso
Ter você pra mim
Porque fui feliz com o que era nosso
Hoje sou triste assim

Por onde é que você anda?
Que bicho que lhe mordeu?

Percussão: Guelo / Baixo: Mário Cezar Andreotti
Teclado [piano]: Newton Carneiro / Violões e arranjo: Irajá Menezes

Metamorfose
April 07, 2007 10:26 AM PDT

Da opereta infantil "O Príncipe Sapo" de Fran Papaterra e Manuel Filho

Ó, linda Princesa
Satisfaz o meu desejo
Me faz a gentileza
De me ofertar um beijo
A Bruxa fez a malvadeza
De confinar-me nesse brejo

Me enfeitiçou
Me transformou
E da maldição só escapo
No encanto do teu beijo
Eu deixo de ser sapo

Eu já fui tão belo
Cá estou nesse riacho
Vigiando teu castelo
Na solidão coacho
Sou verde do lado de cima
Branquelo, meio azul em baixo

Sou cururu
Tô jururu
No limo da pedra derrapo
No encanto do teu beijo
Eu deixo de ser sapo

Penso no futuro
Junto a ti
Sempre a teu lado
Pisando em chão seguro
Um príncipe encantado
Pra muito além do poço escuro
Eternamente apaixonado

Um beijo teu e aconteceu
Ai, se eu te levo no papo
No encanto do teu beijo
Eu deixo de ser sapo

Com teus beijos adormeço
E esqueço que já fui sapo

Teclado [piano e vibrafone]: Ricardo Breim / Violões: Hermelino Neder e Irajá Menezes
Teclados adicionais: Newton Carneiro / Arranjo: Sociedade Secreta

Pela Estrada
April 07, 2007 10:00 AM PDT

No lugar de onde eu venho sempre faz calor
Sopra um vento pro interior
Lá onde ela mora passa um rio devagar
Rio que vai se embora para o mar

E leva em suas águas nossas mágoas
Nossas lágrimas de amor
Leva no seu leito o amor desfeito
Nosso sonho que acabou
Meu amor brigou comigo
Disse que não vai ficar de bem
Ai de mim, tão triste assim
Sem ela e sem ninguém

Pela estrada afora eu vou sozinho
Sol a pino, chuva, vento, pó
Pelo meu caminho eu vou tão só
Ô, baby, tenha dó

Teclado [baixo, orgão], coro e guitarra The Police: Newton Carneiro
Guitarra: Irajá Menezes / Guitarra reggae: Fran Papaterra
Trompete: Nahor Gomes / Trombone: Sidnei A. Borgani
Bateria e percussão eletrônica: Irajá Menezes e Newton Carneiro
Arranjo: Irajá Menezes

April 07, 2007 09:51 AM PDT
itunes pic

 
Ficha Técnica / Agradecimentos
Explicit
April 07, 2007 09:50 AM PDT

Gravado por Newton Carneiro e Vander Galvez no Atelier Estúdios.
Mixado por Newton Carneiro.
Masterizado por Vander Galvez.
Projeto gráfico e fotos do encarte original: Simone Chacham.

NEWTON CARNEIRO é um exagerado. Não há possibilidade de entrar em contato com sua música e não viver a sensação de afogamento que a exuberância de timbres, imaginação e eficiência dela nos provoca. Você chega lá com a sua cançãozinha, lá vem ele, naquela turbulência de sinfônica. Como não é todo dia que se está com fôlego pra mergulhar na cachoeira da usina, ficamos nós assistindo ele descer as corredeiras.

É sempre um espetáculo bonito de ver e, mais, um exercício de coragem quando se vai aproximando a hora de enfrentar a fúria do Titã. Muitas vezes me sinto um pároco do interior devolvendo os croquis da Capela Sistina, dado que o teto da minha igrejinha não tem as dimensões necessárias.

De toda maneira, se foi sempre dessa contradição que emergiu nosso trabalho (e se, ao contrário de tudo o que eu disse, não há como não admitir que em pelo menos 50% dos casos o megalômano sou eu), não posso, igualmente, me furtar a agradecer, de todo o coração, a lisonjeira, generosa e, principalmente, enorme paciência que ele sempre tem comigo.

Certo dia o Fran apareceu em casa e me contou de uma peça que ele assistiu e da música que o RUBENS – RUBÃO – NOGUEIRA tocava nela. Ele estava encantado e disse: achei um cara bom pro disco. E não é que ele tinha razão!

SOCIEDADE SECRETA é um trio do qual fazemos parte eu (caso exótico de participação especial no próprio disco), Ricardo Breim e Hermelino Neder.
No esquema tático da Sociedade, Hermelino é o cérebro por trás da jogada, Ricardo alterna em todas as posições e eu... eu, em geral, corro pro abraço.

Esse time só me dá alegria!