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ViravoltaIrajá Menezes 12 anos |
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June 04, 2007 05:21 PM PDT
Viravolta - o disco
April 07, 2007 06:25 PM PDT
Irajá Menezes interpreta canções de Fran Papaterra. Para analisar este trabalho é necessário que se defina a palavra prosódia. Ela é usada para designar a adequação entre letra e música numa composição.
Ele é o porta-voz do compositor. O intérprete analisa, traduz, representa a canção. Ele deve ter cultura, sensibilidade e inteligência para saber combinar os sons e significados das palavras com os intervalos, freqüências e durações das notas musicais, com as tensões, afastamentos, repousos, cadências e modulações da harmonia e com as sensações sugeridas pelos motivos melódicos. Sem dúvida, o intérprete é superior ao cantor. Há intenções no trabalho de elaboração de uma canção. Há também manifestações inconscientes que, muitas vezes, são mais abundantes e ricas em conteúdo. E há, finalmente, elementos que podem ser adicionados à canção que, se não lhe alteram as intenções, a comunicam de uma maneira que jamais ocorreria a quem a fez. O bom intérprete deve reconhecer as intenções explícitas do compositor, desvendar as manifestações inconscientes dele e adicionar elementos seus à canção, de maneira a ser uma espécie de cúmplice. Poucos compositores têm um intérprete. Eu tenho. Fran Papaterra Êta, Vida Marvada!April 07, 2007 04:59 PM PDT
(That's Why God Made the Movies) - Paul Simon Diz que sim, diz que sim
Diz que não, diz que não
Quando eu nasci
E eu caí na choradeira
Diz que sim, diz que sim
Diz que não, diz que não
Quando eu nasci
Violão e teclado [piano, piano elétrico, cordas, bateria]: Newton Carneiro
April 07, 2007 04:58 PM PDT
Ele falou que seu plano de vida era outro
Infelizmente o seu plano
Ela ensaiou, cabisbaixa, uma espécie de queixa
Do jeito mais dolorido
Mas esse mundo é sem cabeça e nem pé
Mas deixa estar que apesar
Veja você como é que esse mundo dá volta
E, quem sabe, seja por isso
Mas esse mundo é sem cabeça e nem pé
Mas deixa estar que apesar
Violões: Irajá Menezes / Baixo: Mário Cezar Andreotti / Percussão: Guelo
April 07, 2007 04:56 PM PDT
(Fifty Ways to Leave your Lover) - Paul Simon O seu problema é só cabeça, ela me disse
Ela falou: Eu não costumo me envolver
Sabe comé, Zé
E aí, como faz, Brás?
Ela falou: Eu sei como é grande essa dor
Ela falou: Que tal se a gente fosse embora?
Sabe comé, Zé
E aí, como faz, Brás?
Violão: Irajá Menezes / Teclado [piano e baixo]: Ricardo Breim
April 07, 2007 03:10 PM PDT
Na Idade Média, o intervalo de três tons inteiros foi denominado "diabolus in musica" e conseqüentemente proibido pela Igreja de ser utilizado nas composições.
MAN WITHOUT A SOUL I saw this train in the station
They say right things about me sometimes
You can find me on a crossroad
MISTERIOSO (Thelonious Monk) Teclado seqüenciado igual à versão do disco Thelonious Monk the Composer, com Milt Jackson, vibrafone, Thelonious Monk, piano, John Simmons, contrabaixo e Shadow Wilson, bateria. Guitarra adicional: Newton Carneiro. Arranjo (?): Irajá Menezes. CapivaraApril 07, 2007 02:57 PM PDT
(I'm the Walrus) - John Lennon e Paul McCartney Ai de mim que sou assim
Ai, mas que preguiça!
Eu nasci no mato
Sou Curupira
Chefe Nhambiquara pinta a cara
Pedra no caminho
Sou Curupira
No caminho da cidade tinha assombração
Sou Curupira
Saravá, meu camará, nhê mungunzá
Se fica o bicho pega
Sou Curupira
Tô jururu, tô tão jururu... Samples: Strawberry Fields Forever, Obladi-Oblada, A Day in the Life, Twist and Shout [Beatles] / Diamonds and Pearls [Prince] Teclado [piano, guitarra, orgão, bateria, percussão, orquestra]: Newton Carneiro
April 07, 2007 02:36 PM PDT
"minh'alma vibra de se elançar" Ao mar!
Não há
Se mais mundo houvera, lá chegara
Ao mar!
Não há
Que haja esperança na tormenta
Teclado [piano, cordas e baixo]: Newton Carneiro / Violino: Ana Maria Oliveira
SE MAIS MUNDO HOUVERA, LÁ CHEGARA Num possível próximo disco de canções de Fran Papaterra eu daria mais ênfase às palavras e à maneira peculiar que ele tem de pronunciá-las. Neste não foi o que eu fiz. O que já de início me atraiu em suas composições foi um apurado senso formal. A inteligência de cálculos e a intuição bem treinada que vinham de seus temas ágeis e sem amarras puxavam toda minha atenção para a arrumação das partes e para a maneira de explorar os campos harmônicos. Até hoje a cada primeira escuta de qualquer canção sua me repito desse jeito. Naquela época ele estava entregue a compor músicas brasileiras: valsas, choros, sambas. Em todas elas, um indefectível acento blue evidenciava seu modo de ser harmônico, todo ele advindo da sintaxe pop de língua inglesa. Curiosamente, não havia bossa nova na música do Fran (o que não podia deixar de me causar estranheza). Seus baiões são acompanhados por acordes maiores que se movimentam paralelos como no Jimi Hendrix e seus choros têm cadências que podem lembrar The Mamas and Papas (!). É óbvio que nada do que ele compõe soa samba funk ou rock rural. A miscigenação já se deu e habita um nível mais profundo onde estruturas análogas podem se encontrar e produzir os sintomas que bem se entender. São as tríades e principalmente um tempo dilatado para as mudanças de acordes (sua maneira de compreender o tonalismo à brasileira pelo viés da balada anglo-americana) que, somados, produzem a secura harmônica que ele arma só para subverter com aquelas melodias indisciplinadas ditas num português castiço fustigado por gírias. Para quem quer entender, ele sempre conta que começou a gostar de Chico Buarque porque as letras pareciam as do Bob Dylan (!!!). Outra coisa que eu fui aprender com o curso do trabalho foi o uso que ele faz das rimas. Isso se explica por ele ser um letrista que não lê poesia. Toda sua formação de escritor vem da escuta de canções e da poesia declamada do "seu" Francisco Papaterra, pai dele. Como a canção nunca assumiu o verso livre da literatura, eu, todo acostumado às rimas brancas dos livros modernistas, me sentia meio mouco na hora de aprender as letras, desatento às nuances, inamovível na minha fissura de analisar... harmonias. Acontece que é justamente nas rimas, esse recurso da língua que nos oferece aos pares os objetos mais disparatados, que reside o aspecto mais evidente e mais profundo da obra do Fran. Sua ferramenta de trabalho por excelência, a rima revela ao mesmo tempo o controle técnico que ele exerce sobre a composição e uma maneira particular de experimentar um desejo de ordenação do caos. A heterogeneidade de elementos na música desse paulistano de Jaú traduz fielmente sua capacidade pessoal de viver as experiências mais variadas. Essa maneira generosa de transitar pela biodiversidade social está toda, acessível, de maneira clara, nas letras de suas mais de duzentas canções. Exacerbando contrastes e realçando as referências do que ele ouviu e usou na hora de compor eu quis traduzir isso musicalmente, como se misturando de maneira crua Thelonious Monk e Robert Johnson eu pudesse compartilhar da utopia de convivência dos contrários que ele não cansa de perseguir. Uma utopia lúdica, lúcida e que eu poderia chamar de quase cínica, porque trabalha por justaposição e não por síntese e que chega a me agredir, tamanha a sem-cerimônia com que ele às vezes desmonta expectativas ou faz uso premeditado de elementos que o bom senso estético refutaria de imediato. Se num próximo disco eu pudesse, daria mais ênfase às palavras e à maneira peculiar que Fran Papaterra encontrou para pronunciá-las. Neste eu me entreguei à oportunidade de me embrenhar na riqueza musical contida na composição e no imaginário de um letrista sabidamente brilhante. Como tradutor, muitas vezes fiz papel de traidor, outras tantas me expressei por idiomas que não falo, todas elas na expectativa de me expor, identicamente, através do outro, ao inverso, como nos espelhos... a voz do outro e o outro na voz. Irajá Menezes Do Jeito Que Você GostaApril 07, 2007 02:30 PM PDT
Música de Irajá Menezes / Letra de Fran Papaterra Do espetáculo "Do Jeito Que Você Gosta"
A trupe segue
Pura poesia
Ser ou não ser?
Quem serei eu?
Vida passageira
A trupe é excêntrica
Haja o que houver
Córrego de águas trôpegas
A trupe é aquela
Teclado [percussão, baixo, piano e realejo]: Newton Carneiro / Violino: Ana Maria Oliveira
April 07, 2007 12:59 PM PDT
E se aquele doce que era doce fosse doce novamente?
Sei que o tempo passa e há de haver graça na saudade que entristece
Noites infindas
Violões e teclado [flautas, cello e sanfona]: Rubens Nogueira e Newton Carneiro
April 07, 2007 12:52 PM PDT
Ela mora dentro de você
Ela tem um baita barrigão
O doutor falou que é uma menina
Ela pode ser o que quiser
O doutor falou que é uma menina
Mais do que chegou a hora H
Violões: Hermelino Neder e Irajá Menezes / Arranjo: Sociedade Secreta Meu Pai me Viciou em BolinhaApril 07, 2007 12:39 PM PDT
Meu Pai me Viciou em Bolinha
E toda vez que alguém me pede
Se o violão não tem bolinha
Violões e trio vocal: Irajá Menezes
April 07, 2007 12:35 PM PDT
Recitativo:
Quando eu nasci
O tempo passou e não quis responder
Mãe, no que será que eu sou bom?
Eu digo: mãe, no que será que eu sou bom?
É que eu faço tanto coisa
Tchubi du daun, daun
Não vá ligeiro
Teclado [piano, orgão, bateria e percussão]: Newton Carneiro
April 07, 2007 12:24 PM PDT
Quando eu era só futuro
Eu uso e abuso do imaginário
Minha mãe me disse: filho,
Eu uso e abuso do imaginário
Fui seguindo com carinho
Eu uso e abuso do imaginário
Bate a chuva na janela
Eu uso e abuso do imaginário
Essa vida dura pouco
Violão e teclado [piano, flautas, violão de 7]: Newton Carneiro / Bandolim: Roberto Araújo
April 07, 2007 12:14 PM PDT
Para Renata Eu queria lhe encontrar
Eu queria viajar
Tudo que eu queria
Teclado [cordas e kalimba]: Newton Carneiro / Baixo: Mário Cezar Andreotti
April 07, 2007 11:25 AM PDT
Nuvem alta, nuvem alta
Por onde é que você anda?
Eu vi que tudo é relativo
É meio dia e a luz do sol
O lado esquerdo de quem entra
Ai de mim que quero mas, não posso
Eu quero tudo por inteiro
É meio dia e a luz do sol
O lado esquerdo de quem entra
Ai de mim que quero mas, não posso
Por onde é que você anda?
Percussão: Guelo / Baixo: Mário Cezar Andreotti
April 07, 2007 10:26 AM PDT
Da opereta infantil "O Príncipe Sapo" de Fran Papaterra e Manuel Filho Ó, linda Princesa
Me enfeitiçou
Eu já fui tão belo
Sou cururu
Penso no futuro
Um beijo teu e aconteceu
Com teus beijos adormeço
Teclado [piano e vibrafone]: Ricardo Breim / Violões: Hermelino Neder e Irajá Menezes
April 07, 2007 10:00 AM PDT
No lugar de onde eu venho sempre faz calor
E leva em suas águas nossas mágoas
Pela estrada afora eu vou sozinho
Teclado [baixo, orgão], coro e guitarra The Police: Newton Carneiro
April 07, 2007 09:51 AM PDT
Ficha Técnica / Agradecimentos
April 07, 2007 09:50 AM PDT
Gravado por Newton Carneiro e Vander Galvez no Atelier Estúdios.
NEWTON CARNEIRO é um exagerado. Não há possibilidade de entrar em contato com sua música e não viver a sensação de afogamento que a exuberância de timbres, imaginação e eficiência dela nos provoca. Você chega lá com a sua cançãozinha, lá vem ele, naquela turbulência de sinfônica. Como não é todo dia que se está com fôlego pra mergulhar na cachoeira da usina, ficamos nós assistindo ele descer as corredeiras. É sempre um espetáculo bonito de ver e, mais, um exercício de coragem quando se vai aproximando a hora de enfrentar a fúria do Titã. Muitas vezes me sinto um pároco do interior devolvendo os croquis da Capela Sistina, dado que o teto da minha igrejinha não tem as dimensões necessárias. De toda maneira, se foi sempre dessa contradição que emergiu nosso trabalho (e se, ao contrário de tudo o que eu disse, não há como não admitir que em pelo menos 50% dos casos o megalômano sou eu), não posso, igualmente, me furtar a agradecer, de todo o coração, a lisonjeira, generosa e, principalmente, enorme paciência que ele sempre tem comigo. Certo dia o Fran apareceu em casa e me contou de uma peça que ele assistiu e da música que o RUBENS – RUBÃO – NOGUEIRA tocava nela. Ele estava encantado e disse: achei um cara bom pro disco. E não é que ele tinha razão! SOCIEDADE SECRETA é um trio do qual fazemos parte eu (caso exótico de participação especial no próprio disco), Ricardo Breim e Hermelino Neder.
Esse time só me dá alegria! |
Podcast SummaryEm 1994, eu disse para o Fran, após um período de escuta atenta de suas canções: está na hora de fazer um disco com este material. Ele respondeu: - Eu faço, se você for o cantor. Nascia assim o que veio a ser o Viravolta – Irajá Menezes interpreta as canções de Fran Papaterra. Newton Carneiro, com quem eu dividira a então recém extinta Banda Q Animou o Baile da Ilha Fiscal, naturalmente se tornou o terceiro parceiro da aventura. Nós demoramos entre conceber o disco, escolher o repertório, arranjar e gravar, até o meio de 1996. Daí, para mixar e lançar já era o ano de 2000. Quantos hiatos! Prensamos 100% independentes, 500 cópias em Cd recordable. Nesta versão de internet estão as 16 faixas mais os textos do encarte, incluídas dedicatórias, epígrafes, etc. As imagens do Escher (ou inspiradas nele) não estavam no projeto gráfico original. Irajá Menezes – Abril 2007 About ViravoltaClick here to get your own player. [http://www.podOmatic.com/podcast/embed/viravolta] [img:http://i.creativecommons.org/l/by-nc-nd/2.5/br/88x31.png] [http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/] Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons [http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/2.5/br/]. Favorite LinksContact MeSubscribe to this Podcast![]() |
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